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MARAÍ VALENTE

Nasceu em 1975 em São Paulo. Arquiteta e Urbanista desde 1999, fez o curso de Linguagem com o artista plástico Silvio Dworecki (1994 -1996). Em 2002 fez a concepção da Mostra Brasil Faz Design em Milão, Itália e em São Paulo no MUBE. Trabalhou ao lado de arquitetos consagrados como Marcelo Rosenbaum, Arthur Casas e Thiago Bernardes na área de arquitetura de interiores, sua grande paixão.

 
 
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"São 3h de avião, 12h de carro e 7h de barco. Você topa a aventura?"

Dizer "sim" para a pergunta de uma amiga e embarcar em uma viagem à Aldeia Yawanawá, no coração da Amazônia brasileira, mudou profundamente minha forma de ver a vida. E deu início a projetos alinhados com esse chamado — incluindo a PELLLE.


Ao ver o lindo trabalho de honrar os antepassados através do resgate da memória, sempre tão presente nessa cultura, refleti sobre minha história e minhas origens. Lembrei da minha avó que fazia flores com tecidos, e de minha tia-avó, que criava os bordados mais delicados que eu consigo lembrar.

O meu eu essencial, que trabalhava com as mãos, com cuidado e carinho, surgiu, e eu incluí os processos manuais na minha vida. Que maravilha foi aceitar essa energia familiar!

 

A primeira PELLLE surgiu como um presente para um amigo. Eu queria que alguém sentisse a felicidade que eu senti ao ver um índio da Aldeia Yawanawá,

 
 

transformando os elementos da natureza, como árvores e pássaros, em linhas e desenhos geométricos, tudo com as próprias mãos.

 
 

O desejo de criar mais permaneceu, e a energia boa de algo feito com o coração também. O que mudou é que, através da experimentação, comecei a dar vida à minha própria simbologia para compor outros desenhos, fazendo surgir duas coleções até agora: Urucum e Horizon.

 
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As pellles são feitas de couro atanado descartados pelos curtumes, por terem furos, manchas ou marcas.

 
 

Mas o que poderia ser visto como um defeito, para mim é algo elegante e querido — parte da trajetória daquela pele, daquele animal, sendo honrado e abraçado por nós.

 

Essa pellle tem todo um cuidado especial: é curtida em material orgânico e não poluente, e as tintas usadas também são à base de água. Em cada peça, um ciclo de vida único se completa, com muita fluidez, entrega e afetividade, para se encaixar em um novo lar.

 
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Quando eu via os desenhos das pulseiras e vestimentas dos índios, eles brilhavam ao longe, na luz da fogueira. Mesmo distantes, eu podia senti-los.

 
 

E é isso que eu desejo para cada criação que faço: que a energia continue reverberando, e que dê mais vida e amor para as casas e para os olhares.